quarta-feira, 1 de junho de 2016

Pictures that tell stories







We made friends and she decided to add me to the picture, holding hands and smiling! I only met this girl once at another camp and I will probably not see her again but her life story and the story that comes with this drawing will be with me forever. It's just another story that I will never be able to forget as long as I live.
Best of lucks H.


Ficamos amigas e ela acabou por me acrescentar ao desenho, de mãos dadas com ela e felizes! Só estive com esta menina uma vez noutro campo e provavelmente não me vou encontrar novamente com ela mas, a sua história de vida e a história que vem com este desenho vão ficar comigo para sempre. É mais uma história que nunca serei capaz de esquecer por muitos anos que viva. 
Boa sorte H.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Teach how to catch a fish!

Saturday was supposed to be our day off, but we decided to go to another camp nearby. It was really different from Oinofyta, more people, more conflicts, less conditions, and less organized, but the greatest difference I noticed was again, the philosophy of it, they had lots of volunteers (thankfully) working a lot but no involvement of the refugees in the work or in the decisions. That`s my favorite thing about Oinofyta camp and the thing that motivates me the most, the "don't give the fish, teach how to catch one" way of thinking that is creating such a nice place over the camp, full of resources and conditions. 

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Sábado era suposto ser o nosso dia de folga mas decidimos ir a outro campo nas redondezas. Foi totalmente diferente de Oinofyta, mais pessoas, mais conflitos, menos condições, menos organização, mas a diferença que mais notei foi novamente a filosofia, lá tinham muitos voluntários (e ainda bem!) que trabalham imenso mas sem qualquer tipo de envolvimento dos refugiados, não só no trabalho mas também nas decisões. É a minha particularidade preferida do campo de Oinofyta, e o que me motiva mais estando aqui a trabalhar, a perspectiva de "não dar os peixes, ensinar a pescar" que cria um bom espírito no campo, e um campo cheio de recursos e condições. 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Welcome to The Bus!



Here's where the magic happens! Here's where I spend a great part of my day, the bus, a mobile clinic. 
Here patients come in every day, for check ups, for help, for love and we do our best to attend to their needs. 
Lot's of people have been treated and taken good care of on this bus and lots of volunteers have worked hard. 
Here I've been called "doctor", "sister", "daughter" and "friend". Here I have been hugged and kissed out of gratitude. I've heard life stories that shocked me and almost drove me to tears. I've been told expectations and plans. 
Here I've not only given medical assistance but also had Farsi lessons and I've taught English and Portuguese. I've had my nails done by a 4 year old. I've painted and drawn true works of art with the kids. I've seen tears but I've also brought out the best smiles. 
We are now leaving it, transferring to an IsoBox in order to get a bigger, cooler and more organized place, more suitable to our needs as the camp expands. 
I'm excited with the change and I know it's for the best but I will also miss this bus! 

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E aqui é onde a magia acontece! Aqui é onde passo a maior parte do meu dia, o autocarro, a clínica móvel.
Muitas pessoas foram já tratadas e cuidadas aqui e muitos voluntários trabalhara imenso para que tudo corresse pelo melhor.
Aqui já me chamaram "doutora", "irmã", "filha" e "amiga". Aqui já me abraçaram e deram beijinhos como sinal de gratidão. Aqui já ouvi histórias de vida que me chocaram ao ponto de me deixar à beira de lágrimas. Aqui já partilharam comigo expectativas e planos. 
Aqui não só prestei assistência médica mas também tive aulas de Farsi e ensinei Inglês e Português. Recebi uma manicure de uma menina de quatro anos. Pintei e desenhei verdadeiras obras de arte com as crianças. Presenciei muitas lágrimas mas também arranquei os melhores sorrisos. 
Durante esta semana vamos deixar este autocarro e vamos transferir-nos para uma IsoBox de forma a ter uma clínica maior, mais fresca e mais organizada, que dê uma melhor resposta às necessidades de um campo em expansão.
Estou entusiasmada com a mudança e sei que a clínica vai ser muito melhor, mas também vou sentir bastantes saudades deste autocarro!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Messed up world

Most of the things that happen at the camp or that come to my knowledge are hard for me to verbalize, so hard to share here, but I also understand that that's the purpose of writing this blog, allowing people to have more information and to be in touch with (a little part) of what happens over here. 
There's this story of a little girl who took all of the medication she was able to find on her mother's belongings, a handful of tablets...
A little girl, whose worse worrying should be homework, had an overdose of medication out of a desperate cry for help and attention. 
Here she is, no father, alone with her mother and few siblings, missing the ones she left behind, after a six months trip by foot and after crossing by "boat" from Turkey to Greece, waiting on a refugees camp for the boarders to open and for them to find asylum on an European country. How much more should she add to her yet short but very damaged timeline?
Turned my heart into a thousand pieces. What a messed up world we live in. 

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A maioria das coisas que acontecem no campo ou que eu fico a saber por lá estar são para mim, realmente difíceis de verbalizar,  difíceis de partilhar aqui mas, também compreendo que o propósito de escrever este blog é partilhar a minha experiência com todos e permitir que mais pessoas recebam informação e possam estar em contacto com (uma pequena parte) do que acontece aqui. 
Hoje conto-vos a história de uma menina que tomou todos os comprimidos que conseguiu encontrar nos pertences da sua mãe, uma mão cheia de vários comprimidos...
Uma menina cuja maior preocupação deveria ser o trabalho de casa, teve uma overdose de medicação numa tentativa desesperada de pedir ajuda e atenção. 
Aqui está ela, orfã de pai, sozinha com a mãe e irmãos e cheia de saudades dos que deixou para trás, depois de uma viagem de 6 meses feita a pé e depois de atravessar de "barco" da Turquia para a Grécia, à espera num campo de refugiados que as fronteiras abram e que possa encontrar asilo num país europeu. Quanto mais terá uma menina de 10 anos de adicionar à sua curta mas já marcada linha temporal? 
Partiu-me o coração em mil pedaços. Que mundo estúpido este em que vivemos. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Bolani!

Being in a camp with "only" 200 refugees allows me to now them better, to know their names and medical conditions but also their past history and their future perspective. It allows me to make a better follow up of their medical needs, for instance with pregnant women (which we have at the camp) or with neurological/psychiatry issues (which we also have at the camp), along with chronical conditions or physical and mental disabilities and to keep record of everything and that's a good system. 
Being in a camp with "only" 200 refugees allows me to be spoiled with little gifts like this wonderful and really tasty Afghan Bolani! Yesterday I received 3, from 3 different families. It's so good to feel that they feel I am helping somehow! 

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But right now with the evacuation of the Idomeni camp more people will probably be checking in the camp this week so we are getting ready for that, since at least 8400 refugees were in Idomeni and will be redistributed we may receive lots of people, despite the transfers we are already receiving from other camps because of medical conditions. 

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Estar num campo com "apenas" 200 refugiados permite-me conhece-los melhor, saber os nomes deles e as condições médicas mas também perceber um bocadinho da história deles e das suas perspectivas futuras. Isso permite-me fazer um melhor "follow up" das necessidades médicas de cada um, principlamente no caso específico das mulheres grávidas (que temos no campo) ou dos problemas neurológicos/psiquiátricos (que também temos) ou de condições crónicas ou incapacidades físicas ou mentais e manter registos de tudo isso. 
Estar num campo com "apenas" 200 refugiados permite-me ser "mimada" e receber este tipo de prendas (ver imagem) enquanto trabalho, isto é um Bolani, comida típica Afegã e devo dizer que estava delicioso. Ontem recebi 3, de 3 familias diferentes... É tão bom sentir que eles sentem que os estou a ajudar de alguma forma.
Mas durante esta semana, com a evacuação do campo de Indomeni, provavelmente vamos receber no campo onde trabalhamos muitas pessoas, sendo que o campo de Indomeni tem pelo menos 8400 refugiados que precisam de ser transferidos, para além das transferências que já estamos a receber de outros campos para avaliar e acompanhar determinados casos médicos. 

Today I got paid :')


domingo, 22 de maio de 2016

~ El alma que anda en el amor, ni cansa ni se cansa


Life's been busy at the camp, not a lot of moments to rest since I am the only medical volunteer there "full time". 
Despite that I am really overwhelmed with all of this already, somethings are so different from what I expected, It really caught me by surprise that in between the refugees there is so many people with a degree, so many people who actually abandoned a great life in their homes to escape this war.
I have been faced with medical challenges every day, decisions that I NEED to be able to take, and things that I must learn and know. 
Nothing comes easy here but the Adventist Help Team and the Do your Part Team here represented and which I am working with and the moment are doing an awesome job, not only helping as volunteers but getting the refugees involved, make them work for their community and for their own benefit, as teachers of the kids, as "handyman", as security and even with a project for a little farm. I am really happy with all of this, it makes me happy seeing something really great growing here. It's a reality really different from what I heard in other camps, here refugees have hope but also know that they may be here for a long time and have to establish and create a life here.
Even with all the work there was time today to watch the sunset by the sea. 

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Tenho estado bastante atarefada no campo visto que sou a única voluntária médica no momento. 
Apesar disso estou realmente surpreendida com tudo isto, há tantas coisas que são diferentes do que esperava, por exemplo, apanhou-me de surpresa que grande parte dos refugiados sejam pessoas com um curso superior, com boas profissões que abandonaram uma vida razoável nas suas terras para escapar à guerra. 
Todos os dias tenho me deparado com desafios médicos, decisões que TENHO de tomar e coisas que tenho de aprender e fazer.
Nada é facilitado aqui mas a Adventist Help Team e a Do Your Part Team aqui representadas e com quem estou a trabalhar de momento têm feito um trabalho realmente incrível, não só ajudando como voluntários mas também envolvendo os refugiados, motivando-os a trabalhar pela comunidade e para seu próprio benefício, como professores, como "mão de obra", como seguranças e até com um projeto para uma pequena quinta. Enche-me o coração ver algo tão incrível crescer aqui. 
É uma realidade bastante diferente dos testemunhos que ouço de outros campos, aqui os refugiados sentem esperança mas ainda assim sabem que podem ter de ficar por muito tempo e portanto têm se tentando estabelecer e criar uma comunidade. 
Apesar de todo o trabalho ainda consegui ver o por do sol junto ao mar hoje.